Pesquisa de clima não é caixa de reclamação
O que medir, com que frequência, e o que fazer com o resultado.
Pesquisa de clima virou sinônimo de formulário anual com campo aberto para reclamar. O time escreve, o RH compila, a diretoria lê um resumo e nada muda até o ano seguinte. Isso não é pesquisa de clima. É caixa de reclamação com calendário.
Pesquisa de clima é um instrumento de gestão. Como todo instrumento, precisa de três definições: o que medir, com que frequência e o que fazer com o resultado.
O que medir
Meça poucas dimensões e sempre as mesmas, para comparar uma rodada com a outra. As que mais explicam rotatividade e desempenho em empresas de 20 a 200 pessoas são:
- Clareza de papel: a pessoa sabe o que se espera dela e como é avaliada.
- Liderança direta: a relação com o gestor imediato, que pesa mais que a relação com a empresa.
- Feedback: recebeu retorno sobre o próprio trabalho nos últimos 30 dias.
- Carga e recursos: consegue entregar o que é pedido com o que tem.
- Reconhecimento e perspectiva: enxerga próximo passo na empresa.
- e-NPS: recomendaria a empresa como lugar para trabalhar, de 0 a 10.
Cada dimensão vira uma ou duas perguntas fechadas, em escala de 1 a 5. Um campo aberto por rodada é suficiente.
Com que frequência
Uma pesquisa por ano mede o passado. Uma por mês cansa e ninguém responde. O ponto que funciona é a pesquisa de pulso trimestral, com 8 a 12 perguntas e cinco minutos de resposta, e uma rodada anual mais longa, de 25 a 30 perguntas.
Anonimato é condição, não opção. Nenhum recorte com menos de cinco respondentes deve ser aberto, senão o time descobre quem disse o quê e a próxima rodada vem em branco.
O que fazer com o resultado
Aqui é onde a maioria falha. O resultado precisa de três movimentos com data. Devolutiva para o time em até 15 dias, mostrando os números e o que a liderança entendeu deles. Duas ou três ações por equipe, escolhidas com quem respondeu, não pela diretoria. E o acompanhamento na rodada seguinte: a dimensão que motivou a ação subiu ou não?
Pesquisa sem devolutiva ensina o time a não responder. Pesquisa com devolutiva e ação vira o termômetro que a empresa consulta antes de perder alguém.